sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Brasil 2021: Comuno-Cleptocracia e Golpe de Estado

 


Desde o início da chamada “Redemocratização“, em 1985, uma casta comuno-cleptocrática [1]gradualmente, se apoderou do Estado brasileiro. A Constituição (1988) e demais atos normativos foram elaborados de forma a permitir isso. O dinheiro se concentra na Esfera Federal, porém, o Congresso tem poder para inviabilizar o Executivo. Consequentemente, configurou-se um sistema desenfreadamente corrupto alcunhado de Presidencialismo de Coalizão, pelo qual um presidente só governa se distribuir aos aliados ministérios, autarquias e estatais para explorarem eleitoral e financeiramente. Esse processo envolve Federação, estados, municípios, empresas, imprensa, entidades classistas e ONG [2]. O sistema se sustenta e se reproduz com os impostos escorchantes cobrados do contribuinte, e pelo arcabouço jurídico brasileiro, cujos Códigos permitem recursos até a prescrição de processos. Qualquer causa pode chegar ao STF, onde ministros são vitalícios, indicados pelo presidente e homologados pelo Senado, que é seu foro jurídico. Assim, ministros do STF julgam os políticos e são por eles julgados.

Nesse ambiente, Congresso e STF se dissociaram da sociedade,  a Esquerda aparelhou o Estado e se utilizou da corrupção para impor sua agenda. Promoveu alterações legais para acolher temas não aceitos pelos brasileiros – ideologia de gênero, desarmamento e aborto, entre muitos outros. A vontade da maioria passou a ser delimitada e controlada por ela que realmente detém o poder e define o politicamente correto. Nada acontece fora desses parâmetros. Para tanto, há apoio incondicional dos grandes órgãos de imprensa, também aparelhados por comunistas e dependentes de patrocínio financeiro governamental. Dessa forma, se tornaram instrumentos de modelagem ideológica da sociedade. Constituem-se no Quarto Poder, plenamente integrado e sinérgico ao sistema corrupto em vigor.

Contudo, esse contexto gerou profunda insatisfação popular que, potencializada pela maior crise econômica da História, levou o povo às ruas e ao impeachment de Dilma Rousseff (2016).

Mas o sistema corrupto se manteve, tendo apenas sofrido uma reacomodação de forças. O PT e partidos satélites deixaram seu núcleo e outros assumiram. Houve apenas trocas de mandos e reordenamento distributivo do butim do Estado dentro da mesma concertação. Evitaram, assim, o cleptocídio.

Entretanto, em 2018, Bolsonaro se candidata e logo ficou claro que poderia vencer. Já no início da campanha, sofre atentado de um esquerdista que foi vendido como ato de um lobo solitário, deixando suspeitas até hoje. Mas, apesar do atentado, do massacre midiático e da campanha muito mais barata que a dos concorrentes, ele se elegeu. Prometeu uma administração técnica, sem loteamento de cargos, conservadora nos costumes e liberal na Economia. Tudo o que a comuno-cleptocracia abomina.

Eleição consumada, incrementou-se a pressão e a satanização ao novo presidente pois, conforme prometido, cargos e ministérios não foram loteados. Imprensa, ONG, sindicatos e artistas deixaram de receber as verbas que os amansavam. Empresários corruptos ficaram órfãos. A administração pública focou-se no atendimento das necessidades da população, não dos interesses de comparsas, e o presidente manteve o apoio popular que o elegeu.

A política externa foi reorientada. O viés terceiro-mundista, globalista, pró-ditaduras e estados terroristas foi substituído por uma postura pró-Ocidente. Mercosul e Unasul foram esquecidos. Nessa linha ideológica, Bolsonaro inviabilizou o projeto da Esquerda visando à própria ressurreição pela comunização da América Latina e África, que foi concebida pelo Foro de São Paulo e operacionalizada pelos governos petistas, a mando de Fidel Castro. O Brasil, mediante seu poder político e econômico [3] se tornara o centro irradiador do comunismo para a América Latina e África. Definiu-se, ainda, uma postura refratária às tentativas de interferência de organismos internacionais, governos e ONG em assuntos relativos à Amazônia, praticados e acatados por governos anteriores sob pretexto da sustentabilidade ambiental.

Ou seja, já no início de 2019, e do mandato, ficou claro que Bolsonaro cumpriria seu discurso de campanha e tinha apoio popular para tanto. Logo, se mantido esse contexto, ele seria reeleito em 2022, o que decretaria o fim da comuno-cleptocracia.

E ela reagiu…e continua reagindo, pela própria sobrevivência, com intensidade progressiva.

A estratégia inicial antiBolsonaro, ainda na campanha eleitoral, visou à destruição de sua imagem transformando mentiras em verdades pela repetição intensa [4]. Porém, ele foi eleito e o sistema reviu sua estratégia. O objetivo continuou sendo destruir a imagem visando à rápida destituição do presidente ou, na pior das hipóteses, impedi-lo de governar durante o atual mandato e de se reeleger. Foram adotadas três linhas de ação: a) difamar, caluniar e injuriar; b) imobilizar o governo; e c) criminalizar o Presidente, seus familiares e colaboradores próximos. Como a eleição de Bolsonaro afetou, não só interesses internos, mas também globais, essa estratégia está coordenada com organismos internacionais, ONG, imprensa, empresas e governos ao redor do mundo. As narrativas são cronológicas e sinérgicas. Inexistem limites éticos, morais, legais ou verdade.

O modus operandi passou a ser o seguinte: a) o Congresso impede Bolsonaro de implantar seu programa de governo [5]; b) congressistas, ONG e entidades classistas levantam falsas questões e as encaminham ao STF, que as acata para imobilizar o Executivo; c) complementarmente, o STF invade competências do Executivo; d) organismos internacionais, ONG, e governos acusam Bolsonaro de violações ambientais e de direitos humanos; e e) a imprensa intensifica a desinformação e a satanização do presidente e seu governo, no Brasil e no exterior.

Porém, as redes sociais acabaram com o monopólio da informação e a verdade triunfa. A população brasileira percebeu as manobras e passou a se manifestar em apoio ao governo e contra a imprensa, o Congresso e o STF. Ficou óbvio que a estratégia não funcionava e a voz do povo deveria ser calada. A reação veio pelo o STF, que abriu investigações sobre fake news e ameaças à democracia.

Iniciou-se, então, uma escalada autoritária e inconstitucional em que não faltaram buscas e apreensões, censura e prisões de ativistas, jornalistas e deputados, mas sempre apoiadores de Bolsonaro. O Supremo avocou a si o direito de investigar, acusar, julgar e condenar àqueles que ameacem a democracia. Avocou a si a condição de Poder Moderador que define o que é democrático, mas por parâmetros ideológicos próprios.

Em 2020 surge a Covid-19, que é utilizada para potencializar a estratégia adotada para paralisar o País, colapsar sua economia, culpar, destituir e prender Bolsonaro. Iniciou-se uma fase bem mais agressiva da estratégia comuno-cleptocrata. Ampliaram-se os ataques pessoais ao presidente, incluindo-se nisso ofensas pessoais e desejos de morte. Partidos políticos cooptaram os ministros Mandetta e Moro, que se demitiram fazendo acusações. Dória tentou cooptar Paulo Guedes a abandonar o Governo. Buscaram implodi-lo em meio a mais séria crise econômica e sanitária que o Brasil já enfrentou.

O STF, por sua vez, aproveitou-se para ampliar o autoritarismo inconstitucional. Intensificou as invasões de domicílio, prisões, censura e prorrogou inquéritos ilegais. Assediou, sistematicamente, o presidente e interferiu em sua administração. Ameaçou militares ministros de “condução sob vara”. Seus próprios ministros passaram a criticar e acusar o presidente de nazista, fascista, genocida (neste caso também o Exército), incapaz e ameaça à democracia. Violou o Pacto Federativo ao transferir para estados e municípios o protagonismo das medidas contra a pandemia. Violou a soberania ao impor a prevalência de normas da OMS [6] relativas à pandemia. Liberou dezenas de milhares de presos e impediu a polícia do Rio de atuar nas favelas. Ou seja, o STF aproveitou-se da pandemia para legislar, administrar e julgar; para exercer seu ativismo político-ideológico esquerdista; para ignorar os demais Poderes e se consolidar como uma instituição acima deles, que detém o monopólio da verdade e da Justiça.

Portanto, a conjuntura anteriormente analisada demonstra que a casta comuno-cleptocrata, por uma questão de sobrevivência, não aceita a eleição de Bolsonaro e está determinada a destituí-lo. Fica obvio que ela detém o poder político e jurídico, e o presidente o apoio popular, além das chaves do cofre e a máquina administrativa, inerentes ao cargo. Essa correlação de forças, não permite uma ação direta como um processo de impeachment, pois a população poderia se voltar contra o Congresso e o STF.

Assim, a casta optou por um golpe branco, colegiado e continuadosustentado pela anarquia institucional por ela promovida.

Branco, pois só permitem a Bolsonaro gerenciar a massa falida recebida do PT – o que vem fazendo excelentemente – sem implementar seu programa de governo, além de lhe retirar e interferir em suas competências constitucionais. Nessa linha, haverá uma segunda fase em que o cobrarão e o criminalizarão por não cumprir as atribuições que lhe foram subtraídas.

Colegiado por não possuir um líder que centralize as ações que, via de regra, são diluídas entre presidentes das casas do Congresso e ministros do STF. Dessa forma, buscam manter a pressão por todos os lados, dividir as atenções e o ônus, além de disfarçar a coordenação das ações.

Continuado por reunir ações indiretas e constantes, pois ainda não é possível uma ação direta e decisiva que destitua o presidente. Visa ao desgaste constante.

As justificativas são e continuarão sendo, a defesa da democracia, mas daquela democracia definida pelo STF, que é a mesma do PT, PSOL, Rede, China, Coreia do Norte, Cuba e Venezuela.

pandemia continuará sendo alimentada e potencializada para hostilizar e responsabilizar o governo, além de disfarçar o incremento do autoritarismo contra aliados e simpatizantes de Bolsonaro, que certamente ocorrerá.

Adicionalmente, como resultado das eleições dos EUA, pode-se esperar significativo incremento de pressões internacionais sobre o presidente, que passará a ser visto como o filhote de Trump que deve ser morto no ninho, antes que alce voo. Também não se descarta condenações e sanções de organismos internacionais relacionadas a direitos humanos e meio ambiente. Não faltará apoio de brasileiros.

E, no Brasil, já se iniciou uma campanha pelo impeachment, com base no caos sanitário de Manaus e na guerra da vacina promovida por Dória. O STF, por sua vez, não se cansa de cobrar explicações do mesmo governo que proibiu de atuar, mas não o faz em relação aos casos de corrupção. Isso, aliado a declarações de políticos, a matérias jornalísticas e até do presidiário e ladrão Zé Dirceu, demonstra que existe, pelo menos, uma tentativa de criar uma ambiente que viabilize o processo, ainda em 2021.

O fato é que a comuno-cleptocracia está, gradualmente, sufocando a democracia. Seu único obstáculo é Bolsonaro. Por isso, há um golpe, não em planejamento, mas em implementação, para o qual não há limites éticos, morais ou legais, como vem sendo demonstrado. Até atentado houve, e poderá haver outro.

E se até 2022 não conseguirem derrubar o Presidente, a urnas eletrônicas, os institutos de pesquisa e a imprensa derrubam.

A não ser que…e somente se…o povo brasileiro reagir, impuser sua vontade soberana e der o devido tratamento àqueles que insistem em acabar com sua liberdade, pois é disto que se trata.

Nota: caso haja interesse do leitor, o detalhamento de alguns pontos de vista apresentados neste artigo pode ser encontrado em outros por mim já publicados na Vida Destra, conforme os links a seguir:

O STF na armadilha

A promoção da violência para destituir um presidente

STF X Democracia

A Verdade Triunfa. Como ficam os mentirosos?

CELSO DE MELLO QUIXOTE DE TORQUEMADA

A NOTA DOS EX-CHANCELERES VIVOS – OU SERIAM MORTOS VIVOS?

A INDICAÇÃO DE KÁSSIO

Caos na Saúde no Amazonas: quem sãos os culpados?

[1] A utilização da expressão comuno-cleptocracia e suas variações não pressupõe que a totalidade dos políticos e agentes públicos, dos três Poderes, sejam corruptos e/ou comunistas, mas a existência de uma parcela deles assim caracterizada, que se concertou e se apoderou do Estado.

[2] Para efeitos deste texto, considera-se organizações não governamentais (ONG) toda e qualquer instituição não estatal, como Igrejas, organizações classistas, organizações beneficentes e sem fins lucrativos, fundações, etc., nacionais e estrangeiras.

[3] O PIB brasileiro oscilou em torno da 7ª posição mundial nos governos petistas, o que lhe permitia financiar partidos e governos esquerdistas na América do Sul e África. Confira aqui. Acesso em 22 Jan. 2021.

[4] Tentaram caricaturar sua personalidade como fascista, nazista, antidemocrático, racista, homofóbico, sexista, inimigo do meio ambiente, etc., sem apresentar fatos e evidências corroborantes. Não surtiu efeito.

[5] Em 2019, o Congresso somente aprovou a reforma da Previdência e algumas medidas provisórias que deixou caducar.

[6] Organização Mundial da Saúde

 

 

Fábio Sahm Paggiaro, para Vida Destra, 28/01/2021.                                                Sigam-me no Twitter! Vamos debater o tema! @FPaggiaro

 

Crédito da Imagem: Luiz Augusto @LuizJacoby

Obs. Publicado originalmente no Vida Destra.



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