quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

O Dever da Prudência

 


Graças à expansão da direita brasileira, principalmente na figura do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, o pensamento conservador entrou em evidência, trazendo ao povo brasileiro a identificação ideológica que tanto buscavam e à qual sempre foi intrinsecamente conectado, mesmo desconhecendo-o.

Esta tendência tem sido fundamental na construção dos alicerces que sustentarão o futuro do país, auxiliando em um processo de recuperação da moral, da ética, dos bons costumes e do respeito, características fundamentais para a educação das novas gerações de brasileiros.

Entretanto – e como tudo tem seu lado positivo e negativo – o crescimento do pensamento conservador trouxe um problema difícil de ser resolvido. O número cada vez maior de falsos conservadores que se utilizam de um público cativo e ávido por conhecimento para deturpar as bases ideológicas do conservadorismo em prol de um pensamento egoísta e revolucionário, que nada tem a ver com o que realmente acredita e prega o povo brasileiro e o verdadeiro conservadorismo.

É necessário ter cuidado ao dar atenção às palavras de qualquer um, todavia, mais ainda ao dar atenção àqueles que pretendem colocar-se como oráculos de uma vertente ideológica, sob a pena de ter subvertida toda sua égide.

Temos visto, ultimamente, várias “lideranças” ditas conservadoras, apoiando medidas extremas e de tendência ao rompimento com a ordem democrática e institucional.

É preciso compreender que para o conservadorismo, todo rompimento abrupto da ordem é nocivo, contraproducente e seus resultados – quando conquistados – tem duração muito curta e não possuem a capacidade de amalgamarem-se como novo paradigma dentro de uma sociedade coesa.

Esse tipo de comportamento revolucionário, que visa às mudanças por meio da força e da imposição de ideias e/ou valores, é uma característica inerente à esquerda e, portanto, incompatível com o conservadorismo. A esses revolucionários com comportamento de esquerda, mas que acreditam ser – e pregam algumas ideias, mas querem impô-las à força – direita, chamamos de reacionários.

Mais grave ainda, este tipo de comportamento, gera uma resposta semelhante, mas de espectro político inverso ao do revolucionário direitista (reacionário). Ou seja, devido aos atos imprudentes e intempestivos daqueles que buscam uma guinada radical à direita, fomenta-se o crescimento dos movimentos radicais que buscam uma guinada radical à esquerda e, deste modo, acirram-se ainda mais os desequilíbrios democráticos, onde ambos os lados, utilizam-se do subterfúgio do comportamento de seus antagonistas como premissa justificadora de seus atos violentos.

Em um momento onde o país clama por união e necessita de profunda reestruturação política, econômica e social, dentro da pior pandemia em um século, perde-se tempo e energia com conflitos ideológicos desnecessários e reprováveis.

Na política, bem como em qualquer outro setor da vida em sociedade, a prudência é fundamental e elemento norteador do comportamento do conservador. Mudanças profundas e que, portanto, alcançarão um enraizamento dentro da sociedade, levam muito tempo para serem concretizadas e devem acontecer de forma ordenada e democrática, sempre respeitando a vontade do povo, que será o agente amalgamador dessa mudança, se assim for a sua vontade.

Dentro deste conceito, lembro-vos das palavras do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, então candidato ao cargo, em 2018, ao comentar sobre suas intenções sobre a maneira com a qual o Brasil deveria agir em relação às suas relações para com as demais nações.

Bolsonaro prometeu, de forma clara, negociar com todos os países sem o viés ideológico que preponderou durante os últimos governos. Ou seja, Bolsonaro jamais negou a continuidade das parcerias internacionais vigentes, mas abriu espaço para novas parcerias, negociadas e organizadas de forma transparente, sem permitir que seu viés ideológico viesse a interferir em assuntos de importância nacional, sempre evidenciando que o Brasil deve estar em primeiro lugar. Isto é um exemplo de conservadorismo. Bolsonaro manteve as parcerias vitais à balança comercial brasileira, ao mesmo tempo em que as diversificou, tornando o Brasil independente de adequação ideológica. Essas mudanças podem não ser percebidas por quem analisa superficialmente as Relações Internacionais, mas são os alicerces que sustentarão uma mudança duradoura nos anos subsequentes. Assim age aquele que realmente acredita no conservadorismo e o pratica em seu cotidiano.

Todavia, insatisfeitos com a postura prudente e estratégica do Presidente, aqueles que se dizem conservadores – mas não o são – passaram então a terceirizar sua culpa por tudo aquilo que gostariam de mudar à força, mas não possuem a força para tal.

Portanto, busque sempre identificar nos discursos daqueles que seguem, qual é o fundamento norteador de suas opiniões. Afaste-se daqueles que juram possuir um determinado espectro político e/ou ideológico, mas possuem um comportamento inverso a ele.

Por fim, gostaria de deixar um provérbio importante para a reflexão de todos, “A palavra dita e a flecha lançada jamais retornarão”. Pense muito antes de falar e mais ainda antes de agir. A liberdade de expressão é fundamental e direito constitucional, entretanto, fugir das consequências de nossos atos não é. O tamanho da sua liberdade em se expressar é exatamente igual ao dever de responder pelas consequências daquilo que diz ou faz. Portanto, o conceito de auto responsabilidade deve sempre nortear sua vida. Ninguém, além de você mesmo, é responsável por aquilo que você faz. Sua vida é fruto irremediável das sementes plantadas por você mesmo. Questione-se sempre e busque o caminho da verdade, com prudência, respeito, ética, moral e dignidade. Seja um conservador e não um revolucionário!

 

 

Lucas Jeha, para Vida Destra, 23/02/2021.                                                              Sigam-me no Twitter! Vamos conversar sobre o artigo! @LucasJeha

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