terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

O que é, afinal, o “Grande Reset”?

 


No contexto político em que vivemos, falar de determinados temas gera um certo desconforto, pois é certo que estamos na era da desinformação, exercida através de teorias da conspiração e notícias falsas propagadas principalmente pela própria imprensa, que hoje conta com as “agências de checagem de fatos”. Esse é o caso do Grande Reset, ou “Grande Reinicialização”, proposta recentemente pelo Fórum Econômico Mundial, que fica em Davos, Suíça. Nesse artigo, vamos falar um pouco sobre isso e tentar desvendar o que é essa reinicialização e porque ela é, sobretudo, uma ameaça à liberdade do ocidente, que já sofre com diversos ataques de grupos extremistas de esquerda e falsos liberais.

Antes de começar a falar o que é o Grande Reset, temos que falar o que ele não é. E ele não é uma teoria da conspiração, como muitos falam por aí, afinal ele tem até uma página no site do Fórum Econômico Mundial. Logo, negar a existência do Reset mundial é um sinal de desinformação.

Contudo, voltando à definição do que é o Grande Reset, trata-se de uma iniciativa do Fórum Econômico Mundial de planejamento econômico centralizado para reconstruir o capitalismo de forma sustentável após a pandemia. A retórica da definição dá a entender que essa iniciativa é algo bom e moral, afinal de contas, quem não gostaria de reconstruir a economia de forma sustentável após a pandemia de covid-19? O caso é que os meios que propuseram para isso são no mínimo questionáveis, pois levantam fantasmas antigos, como o socialismo e o globalismo, que muitos acusam também de ser uma teoria da conspiração, mesmo ele já existindo na prática através da influência que órgãos como ONU e OMS exercem no mundo, e do poder que projetos gigantes de Estado como a União Europeia têm.

A proposta do grande reset para “reconstruir a economia” parte da assunção que o capitalismo falhou – mesmo este sistema tendo sido o responsável por desenvolver a renda, ainda que de forma desigual, onde fora implementado –, portanto, após a pandemia, o capitalismo deve ser repensado para ser “mais igualitário”, se preocupando mais com o meio ambiente e toda aquela porcaria toda que estamos acostumados a ouvir de tiranos disfarçados com discurso de igualitarismo. Há, no entanto, erros crassos nesse raciocínio de que a desigualdade gerada pelo capitalismo seja algo ruim. O primeiro é que a desigualdade basicamente significa que um grupo de pessoas conseguiu enriquecer e o outro não. Logo, o fato de haver um grupo rico e outro pobre é melhor do que haver somente um grupo no qual todos são pobres, tanto que os países onde há o igualitarismo através da pobreza, como Cuba, Venezuela e Coréia do Norte, são países devastados política e socialmente, vítimas de ditaduras sanguinárias que proíbem o indivíduo de enriquecer através do capitalismo.

O segundo erro do raciocínio dos iluminados do Fórum de Davos é esse complexo de igualitarismo, pois é impossível atingi-lo, visto que seres humanos são desiguais nos gostos, habilidades, caráter e afins, o que gera efeitos na economia. Se você der R$ 5.000,00 reais hoje para duas pessoas, elas certamente farão coisas diferentes, sendo que uma pode gastar o dinheiro da noite para o dia e a outra pode aplica-lo em algum investimento e amanhã ter R$ 6.000,00. Logo, a desigualdade é inerente à ação de humanos civilizados, detentores do conhecimento do que é melhor para si mesmos, o que torna desnecessário que um grupo de burocratas de Davos tentem consertar essa desigualdade, pois os que tentaram, só causaram morte e caos social, como os ditadores socialistas do século XX. Os burocratas de Davos certamente podem dizer que estão preocupados com os países em que os pobres não conseguiram enriquecer com o capitalismo, mas será que foi o capitalismo o responsável por isso? Porque os cidadãos de países com maior nível de capitalismo e liberdade econômica, como Nova Zelândia, Austrália e Suíça, gozam de uma boa vida, tanto que o IDH desses lugares é bem alto. Por outro lado, em países com menos liberdade econômica, como o próprio Brasil, há grupos de empresas que se enriquecem através do Estado, impedindo a concorrência e o capitalismo e consequentemente impedindo que os pobres melhorem de vida.

Mas se a proposta que justifica a “reconstrução do capitalismo que falhou” é bizarra, a solução para criar um capitalismo “mais justo” é pior ainda. O Fórum Econômico Mundial entende que as soberanias nacionais são uma ameaça à reconstrução do capitalismo e seus burocratas acham que as decisões deveriam ser tomadas por órgãos mais centralizados. Na prática, esse é um projeto globalista, pois os governos que controlam nossas vidas são eleitos por nós. A proposta do Grande Reset é que esses governos eleitos por nós não mandem tanto quanto um grupo de burocratas não eleitos, o que se aproxima muito da ideia de um “governo global”. Esse modelo de governo de burocratas não eleitos já existe em alguns lugares, como na União Europeia, cujos membros do órgão mais poderoso – a Comissão Europeia – não são eleitos por ninguém, mas sim indicados por burocratas europeus e aprovados ou não pelo parlamento da UE. Além disso, se já é difícil lidar com as decisões que discordamos do governo local – de Brasília – imagine como protestar contra as decisões de um grupo de burocratas que ficaria sabe se lá em que canto do mundo.

Essa ideia de controle centralizado de decisões econômicas lembra um pouco as críticas que o economista Friedrich von Hayek faz em sua obra prima, o livro O Caminho da Servidão, no qual ele desmonta todo o raciocínio de planificação da economia defendida pelos socialistas. A tese de Hayek é bem simples de se entender: todo o conhecimento acerca do que as pessoas precisam está disperso na sociedade. Cada ser humano é, desta forma, um processador de dados que entende suas necessidades e demonstra-as através da demanda, que por sua vez estimula a oferta e assim se cria uma rede de oferta e demanda de bens. O nome dessa rede é mercado. A ideia dos socialistas do século XX é que o mercado tinha que acabar porque eles achavam que ele causava “desigualdade”, tal como os burocratas que elaboraram o Grande Reset, no entanto, os socialistas nunca conseguiram resolver o problema do conhecimento disperso na sociedade que Hayek apresentou, mas mesmo assim achavam que um grupo de pessoas do governo poderia obter todo o conhecimento que está disperso na sociedade e que muda de hora em hora, processar esses dados e dar uma resposta perfeita do que teria que ser produzido e para quem deveria ser destinado. É óbvio que isso é impossível por uma limitação da capacidade de raciocínio humano, aliás, isso não é só uma limitação humana, mas computacional também. Nem mesmo o maior supercomputador do mundo poderia fazer esse cálculo, porque ele é subjetivo e suas variáveis mudam a cada momento através da nossa interação com o mundo.

O Grande Reset, no fim das contas, é uma tentativa de criação de uma espécie de um estado mundial, logo, deve ser combatido, pois a ideia de estado em si é necessariamente anti-propriedade privada, uma vez que a violação de direitos de propriedades através de impostos é condição necessária para a existência de qualquer estado e seu governo. O problema de tal violação é que a base da civilização humana não é o governo, seja o democrático, seja o monárquico, mas sim a propriedade privada, dado que é ela quem determina as ações que são éticas ou não de realizarmos na vida em sociedade, e quanto mais ela é violada, mais incentivos cria-se para que o processo de civilização regrida ao invés de avançar.

 

 

Vinicius Mariano, para Vida Destra, 15/02/2021.
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Crédito da Imagem: Luiz Augusto @LuizJacoby

OBS Retirado do Vida Desta




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