quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Para que serve a escola?

 


As dúvidas e questionamentos sobre a natureza, os fenômenos, a humanidade, a organização social, aliados ao conjunto que forma a epistemologia, deram ao homem aquilo que chamamos de ciência. O saber comprobatório ou mesmo a idoneidade dos conhecimentos testados formam o que chamamos de ciência. A busca da verdade deu origem ao que chamamos de educação. Não se trata de uma definição gramatical ou de ordem filosófica. Esse é um regimento de fatos que traduzem a natureza científica.

O desenvolvimento da instituição escola, da forma historicamente conhecida, remonta à Grécia antiga, no período onde o ensino de filosofia, matemática e retórica eram desenvolvidos por pessoas que tinham notável preparo para transmitir aos discípulos os conhecimentos. Portanto, há de se pensar sobre este princípio histórico como uma dinâmica muito parecida com a escola atual, visto que, estando nas mãos de pessoas com intenções suspeitas é possível transformar a instituição, ou o momento escolar, num ambiente de disseminação de saberes que sejam convenientes aos grupos que pretendam usá-la para se beneficiarem ideologicamente.

Dizer que a escola tem a função de educar é um ato incoerente, visto que a educação, como forma de transmitir convicções éticas, morais, religiosas, políticas e culturais, é um instrumento exclusivo das famílias. Tais responsabilidades não podem ser outorgadas a professores. Numa excelente colocação observa Armindo Moreira[1]:

Um aluno, até seus 15 anos, terá tido, no mínimo, 20 professores. Entre esses, é
natural que surjam: religiosos e ateus; fanáticos, moderados e indiferentes
para com Deus e para com a Pátria; preguiçosos e trabalhadores; competentes
e incompetentes; castos, desregrados e homossexuais; sóbrios e viciados;
disciplinados e revoltados. Será que um ser humano pode ser educado[2] por uma
turma tão contrastante e contraditória em hábitos e convicções? É evidente que
não! (…) Se os professores quiserem influir na formação moral e cívica dos
alunos, terão de o fazer com suas virtudes e com seus defeitos e na
consciência do educando ficará um feixe de contradições, um caos. 

Para o professor Nelson Lehmann da Silva “na maioria dos Estados, a rede pública de ensino está sob controle de docentes sindicalistas, militantes partidários. Os textos escolares, quase sem exceção, empregam o vocabulário marxista, mesmo o mais ortodoxo, como ‘consciência de classe’, ‘luta de classes’, ‘modos de produção’, ‘exploração internacional’, ‘imperialismo americano’ e a rotineira demonização do Capitalismo.[3] (LEHMANN, 2011, p.1)

Não existe justificativa para aplicação de ideologias políticas na escola, a não ser por intento de dominar os cidadãos por meio da persuasão doutrinária. Uma coisa é a liberdade de pensamento e de divulgação de ideias, outra é usar a escola em nome de uma ideia, sobretudo se ela for fruto de interesses políticos. Veja que os serviços prestados pelo Estado na área de educação são pagos com dinheiro público. Logo, o interesse maior deveria ser o interesse público e não o de um grupo político. Ninguém gostaria de investir a vida toda em seus filhos e, ao final da trajetória escolar, receber um militante de esquerda que engorda os sindicatos, não trabalha e vive dizendo que a burguesia e os capitalistas são os culpados pelas desgraças do mundo. Quem não deseja isso, deve começar a prestar mais atenção naquilo que estão ensinando às crianças e jovens na escola. Alguns especialistas já cravam que demorará, no mínimo 75 anos em matemática e 260 anos para atingir o nível de proficiência em leitura, como afirma matéria divulgada pelo Estadão, em fevereiro de 2018: “Um relatório inédito do Banco Mundial estima que o Brasil vá demorar 260 anos para atingir o nível educacional de países desenvolvidos em Leitura e 75 anos em Matemática. Isso porque o País tem avançado, mas a passos muito lentos. O cálculo foi feito com base no desempenho dos estudantes brasileiros em todas as edições do Pisa, a avaliação internacional aplicada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE).”[4] (Artigo do jornal Estadão, p.1)

Todo esse tempo para limpar a sujeira de Paulo Freire, certamente custará para os cofres públicos e para o desenvolvimento científico do país uma cifra inimaginável.

Mesmo que de maneira tardia, houve uma reação daqueles que perceberam o mal que o marxismo cultural fez às nossas escolas, crianças e jovens. Prova disso é a luta implantada em prol do projeto de lei Escola sem Partido (PL 7180/14), que tem sido discutido, ainda que com grande esquiva da esquerda. O relator é o deputado Flavinho (PSC-SP). Esse projeto visa o seguinte objetivo, de acordo com o que foi publicado no sítio eletrônico www.escolasempartido.org: “[…] informar estudantes e professores sobre direitos e deveres que já existem. O projeto faz isso da forma menos invasiva e onerosa que se poderia imaginar: ele torna obrigatória a afixação nas salas de aula do ensino fundamental e médio, de um cartaz com os seguintes Deveres do Professor:

1: O Professor não se aproveitará da audiência cativa dos alunos para promover os seus próprios interesses, opiniões, concepções ou preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e partidárias.

2: O Professor não favorecerá nem prejudicará ou constrangerá os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas, ou da falta delas.

3: O Professor não fará propaganda político-partidária em sala de aula nem incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas.

4: Ao tratar de questões políticas, socioculturais e econômicas, o professor apresentará aos alunos, de forma justa – isto é, com a mesma profundidade e seriedade -, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito da matéria.

5: O Professor respeitará o direito dos pais dos alunos a que seus filhos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.

6: O Professor não permitirá que os direitos assegurados nos itens anteriores sejam violados pela ação de estudantes ou terceiros, dentro da sala de aula. (Alteração de formatação minha).[5] (Miguel Nagib p.4)

Basicamente, o projeto não faz nada mais do que garantir que a escola não interfira, propositalmente, na escolha política do aluno, seja por persuasão ou por instrumentos subjetivos que tenham o intuito de doutriná-lo.

Os deveres do professor, expostos no cartaz não limitam a atuação do professor e nem da escola. Pelo contrário! Eles são instrumentos de proteção ao verdadeiro processo de ensino-aprendizagem.

O prejuízo trazido pelo socioconstrutivismo não se limita somente aos péssimos números da educação no Brasil. Há de se considerar que investimentos feitos aos moldes do PT foram verdadeiras torneiras de dinheiro público abertas ao desperdício e com péssima gestão. Penso que não pode ser possível que vendo nossas crianças sem aprender no tempo certo e levando ano a ano suas dificuldades para as séries seguintes, não aprendamos a lição de que não basta gastar milhões com educação, é preciso gestão competente para que os recursos sejam aplicados corretamente, e isso só pode ser realizado se o Estado passar a considerar a educação como uma série de ações que tenham como objetivo o aprendizado das ciências necessárias para a vida em sociedade e não para a formação de militância político-ideológica.

 

[1]  ​Professor não é educador, 3ª ed., p. 8, Cascavel-PR, 2012

[2] Para Armindo Moreira, educar é ​“promover, na pessoa, sentimentos e hábitos que lhe permitam adaptar-se e ser feliz no meio em que há de viver”; e instruir é ​“proporcionar conhecimentos e habilidades que permitam à pessoa ganhar seu pão e seu
conforto com facilidade”.

[3] Escola sem Partido

[4] Estadão-Educação

[5]Artigo disponível em:  http://www.escolasempartido.org/images/pfesp.pdf. p.4

 

 

Davidson Oliveira, para Vida Destra, 04/02/2021.
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Crédito da Imagem: Luiz Augusto @LuizJacoby

Obs.Publicado originalmente no Vida Destra.



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