sábado, 13 de fevereiro de 2021

Por que a Direita ataca os liberais?

 



Quem navega nas redes sociais com assiduidade, já deve ter testemunhado, ou mesmo protagonizado, ataques de membros da Direita aos chamados Liberais. Eu percebi, porém, que muitos desses ataques não são justificáveis, e que muitos liberais são atacados de forma injusta. Isso se deve ao baixo conhecimento das pessoas acerca das doutrinas políticas, como o Liberalismo e o Conservadorismo. Muitos que se dizem conservadores, por exemplo, sequer sabem definir o que é o Conservadorismo. Infelizmente nosso povo carece de apreço pela leitura e pelos estudos, o que leva muitas pessoas a atitudes e discursos sem nenhuma base intelectual.

É comum os liberais serem confundidos com os esquerdistas, e é este o motivo para a maioria dos ataques contra eles. Mas por que tal confusão ocorre? Vou tentar responder de forma breve neste artigo.

Por falta de conhecimento acerca do que é o Liberalismo e os valores que esta doutrina política defende, muita gente confunde facilmente as pautas liberais e as pautas esquerdistas. Realmente, em muitos casos a diferença é sutil. O Liberalismo, por exemplo, defende os direitos do indivíduo, como o direito à vida, à liberdade, à segurança, e à busca da felicidade, para citar alguns, considerando-os direitos naturais do homem, não sendo necessário ser concedidos pelo Estado ou pelo governo, e com a busca individual pela satisfação desses direitos sendo considerada legítima. Para o Liberalismo, primeiro vem o indivíduo, depois vem a sociedade.

É o contrário do pensamento esquerdista, que coloca o coletivo acima do indivíduo, e coloca sobre o Estado a autoridade de determinar quais serão os direitos usufruídos por aqueles sob os seus cuidados.

E falando em Estado, os liberais defendem o Estado mínimo, com atribuições e poderes restritos, deixando o protagonismo para os indivíduos. Para os liberais, o Estado só deve cuidar daquilo que as pessoas não podem cuidar por si mesmas, com a segurança pública e a defesa nacional servindo como exemplos de áreas onde a atuação do Estado é necessária.

Já a esquerda defende o protagonismo estatal, dando ao Estado atribuições e poderes que acabam por interferir na vida das pessoas e cercear as liberdades individuais, ao impor sobre os indivíduos um coletivismo não natural. O Estado defendido pela esquerda atropela os direitos que os liberais julgam ser naturais, e pode não considerar legítima a busca por estes direitos.

As pautas esquerdistas como o direito ao aborto, a liberação das drogas, a ideologia de gênero, e as questões raciais ou envolvendo a comunidade LGBT, embora tratem da defesa de direitos individuais, tem abordagem distinta da Liberal. Os esquerdistas defendem tais direitos de forma coletivista, e creem que tais direitos devem ser definidos e assegurados pelo Estado, impondo à toda a sociedade conceitos que deveriam ser tratados no foro individual.

Já os liberais defendem que os indivíduos devem decidir por si mesmos, o que fazer em relação a estes temas, sem a intromissão estatal. Trata-se de temas que interessam apenas ao indivíduo, segundo a ótica liberal. Este posicionamento em relação a estas pautas, talvez seja o que mais gere atrito entre os liberais e os conservadores. As soluções também diferem bastante: enquanto os liberais colocam sobre o indivíduo a responsabilidade de decidir o que é melhor para si e de buscar soluções para os seus problemas, os esquerdistas colocam esta responsabilidade sobre o Estado, e esperam que este ofereça as soluções. Ou seja, liberais defendem que o indivíduo tome decisões de maneira autônoma e arque com as consequências, enquanto os esquerdistas querem que o indivíduo dependa do Estado para encontrar as soluções dos seus problemas e arcar com o ônus delas.

Os liberais, por defenderem o protagonismo do indivíduo, acreditam ser natural a diversidade gerada pela liberdade, e também veem com naturalidade o fato que os mais capazes terão melhores resultados. Já a esquerda, embora adote um discurso de pluralidade e de respeito às diferenças, busca igualar a todos, mesmo que tal igualdade signifique o cerceamento das liberdades. Para os liberais, a igualdade é o início do processo, ou seja, todos devem ser iguais perante a lei, e devem ter as mesmas oportunidades, com cada pessoa obtendo resultados segundo os seus próprios esforços. Os esquerdistas querem a igualdade no final do processo, ou seja, não importa o esforço individual, o resultado deverá ser o mesmo para todos.

O que pretendi mostrar aqui, através destes breves exemplos, é que não se deve confundir liberais com esquerdistas. Ambos tem valores, visão de mundo e objetivos distintos. E é claro que, como toda doutrina política, o Liberalismo possui os seus prós e contras.

Não é possível aprofundar estes temas aqui, por isso recomendo aos amigos leitores, que tenham o interesse em conhecer mais sobre os assuntos mencionados, a leitura dos livros Liberalismo e Democracia, de Norberto Bobbio, O Caminho da Servidão, de Friedrich Hayek, e Um Prefácio à Teoria Democrática, de Robert Dahl.

Mas espero que, de agora em diante, todos saibamos distinguir os verdadeiros dos falsos liberais, que possamos distingui-los dos esquerdistas. Que estejamos mais atentos, e que possamos seguir o nosso combate, identificando corretamente os nossos inimigos!

 

 

Sander Souza (ConexãoJapão), para Vida Destra, 12/02/2021.
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Obs. Retirado do Vida Destra.


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