quinta-feira, 22 de abril de 2021

Agora é só na força bruta

 




Se fizeram tudo isso peitando os 57 milhões de votos que disseram “NÃO” ao “maior assaltante de todos os tempos”, conforme descrito pelo Banco Mundial, o que não farão com ele posto de volta na Presidência da República pela eleição sem recibo? Fernão Lara Mesquita:



A pandemia estabeleceu “de jure” a verdade que já vigorava “de facto”.


O assalto vem de longe. Contra a lei, primeiro. Automatizado em função da impunidade, depois. Institucionalizado e perpetrado à mão armada de lei mais além. Agora perderam os últimos pruridos de vergonha na cara. Autorizados pela imprensa, mentem na cara do povo com a desfaçatez de quem já não tem qualquer resquício de respeito por ele.


Voltamos à lei da selva. Ao império da força bruta. Não há regra nem verdade estabelecida. Acabou-se o privilégio do que está escrito nos códigos. Tudo que tiver sido dito pode ser impunemente desdito. Estão oficialmente banidos o senso comum e a lógica. Não há mais porque argumentar.


Seja o que quiser, na hora que quiser ou desquiser, cada um dos 11 monocratas.


Eleições pra que? Aos representantes eleitos do povo na Câmara chutam a bunda: “Algeme-se”! “Prenda-se”! “Cale-se-lhe a boca”! Aos do Senado dão cascudos na orelha: “Agora isto”! “Agora aquilo”! Abraçam a Lei de Segurança Nacional da ditadura – até ontem “a maldita” – que, limpa da gosma retórica com que os odoricos paraguassus do juridiquês defendem mais esta empulhação nos jornais, querem de tal modo reformada que possa ser usada contra mas não por Bolsonaro e os bolsonaristas.


E porque não no país que aceita como “estado democrático de direito” a constituição que cria e petrifica a privilegiatura explícita e literalmente sustentada à base de “lagostas e vinhos com no mínimo quatro premiações internacionais” pelo favelão nacional reduzido a cozinhar a lenha as migalhas que lhe sobram para por no prato?


O Brasil não chega a ser um país politicamente selvagem. Ha passividade demais para comportar esse adjetivo. Somos apenas primitivos. Pré-iluministas. Saltamos os séculos 18 e 19 das revoluções democráticas. Vivemos na desesperança absoluta e conformada da Baixa Idade Media em que a religião é o único consolo contra “o inevitável”.


Nobreza e povo escondem-se um do outro. Qualquer contato acaba em mordida. Somos os filhos da censura. No início era proibido o papel. Que dirá escolas e livros! Depois os computadores. Agora temos Alexandre, O Pequeno, e o soviete do jornalismo partidário para os quais os herdeiros da imprensa nacional fabricam a corda da qual pende o país pelo pescoço.


Todo mundo sabe o que não quer mas ninguém sabe o que é democracia. E é proibido mostrar as que existem. Somos a anti-Ásia. Não temos nada a aprender com ninguém. Aqui é só “nóis-com-nóis”…


Obtido o “consenso passivo das classes dominadas”, como queria Gramsci, a esquerda antidemocrática deixou de lado o chororô dos “anos de chumbo” e da “luta pela democracia”. Sente-se segura para assumir-se como o que sempre foi. “Censure-se”! “Prenda-se”! Arrebente-se”! desde que a gente do lado certo. Já a “esquerda democrática” tem vergonha do que é. Vive sob a síndrome do “renegado Kautsky”. Acha-se bunda-mole por hesitar em matar. Ao primeiro “quiéquiéisso companheiro” borra-se toda.


“Direita radical”? Não é mais que um rito de invocação. Meia dúzia de fugidos do museu. Nenhum deles recebe indenização do Estado. Ninguém está preso por “ofendê-los”. Mas uma menção ao AI-5 é mais “ação antidemocrática”, nos altos templos da mentira nacional, que festejar, condecorar e financiar a fundo perdido com os bilhões negados ao favelão nacional todas as ditaduras e genocidas sobreviventes no planeta.


E cá estamos nós:


Com uma só penada lá se foram o Poder Judiciário inteiro, ameaçado de prisão nas pessoas dos 9 juízes das três instâncias que o tribunal bolivariano “cancelou”; o Código Penal; o Código de Processo Penal; a Constituição dos Miseráveis; a Câmara, presa e arrebentada mas mansa, e sua Lei da Ficha Limpa; o Senado de orelha puxada e com Renan Calheiros dando as cartas de novo; a Declaração Universal dos Direitos do Homem com suas liberdade de expressão, devido processo legal e igualdade perante a lei.


Se fizeram tudo isso peitando os 57 milhões de votos que disseram “NÃO” ao “maior assaltante de todos os tempos”, conforme descrito pelo Banco Mundial, o que não farão com ele posto de volta na Presidência da República pela eleição sem recibo?

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