sábado, 29 de maio de 2021

Interpretação dos Textos Sagrados

 


“Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de

particular interpretação.” — (2ª EPÍSTOLA A PEDRO, capítulo 1, versículo 20.)

Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida. Sua luz imperecível brilha sobre os

milênios terrestres, como o Verbo do princípio, penetrando o mundo, há quase

vinte séculos.

Lutas sanguinárias, guerras de extermínio, calamidades sociais não lhe

modificaram um til nas palavras que se atualizam, cada vez mais, com a

evolução multiforme da Terra. Tempestades de sangue e lágrimas nada mais

fizeram que avivar-lhes a grandeza. Entretanto, sempre tardios no

aproveitamento das oportunidades preciosas, muitas vezes, no curso das

existências renovadas, temos desprezado o Caminho, indiferentes ante os

patrimônios da Verdade e da Vida.

O Senhor, contudo, nunca nos deixou desamparadoS.

Cada dia, reforma os títulos de tolerância para com as nossas dívidas; todavia,

é de nosso próprio interesse levantar o padrão da vontade, estabelecer

disciplinas para uso pessoal e reeducar a nós mesmos, ao contacto do Mestre

Divino. Ele é o Amigo Generoso, mas tantas vezes lhe olvidamos o conselho

que somos suscetíveis de atingir obscuras zonas de adiamento indefinível de

nossa iluminação interior para a vida eterna.

No propósito de valorizar o ensejo de serviço, organizamos este humilde

trabalho interpretativo (1), sem qualquer pretensão a exegese.

Concatenamos apenas modesto conjunto de páginas soltas destinadas a

meditações comuns.

Muitos amigos estranhar-nos-ão talvez a atitude, isolando versículos e

conferindo-lhes cor independente do capítulo evangélico a que pertencem. Em

certas passagens, extraimos daí somente frases pequeninas, proporcionandolhes

fisionomia especial e, em determinadas circunstâncias, as nossas

considerações desvaliosas parecem contrariar as disposições do capítulo em

que se inspiram.

Assim procedemos, porém, ponderando que, num colar de pérolas, cada

qual tem valor específico e que, no imenso conjunto de ensinamentos da Boa

Nova, cada conceito do Cristo ou de seus colaboradores diretos adapta-se a

determinada situação do Espírito, nas estradas da vida. A lição do Mestre, além

disso, não constitui tão-somente um impositivo para os misteres da adoração.

O Evangelho não se reduz a breviário para o genuflexório. É roteiro

imprescindível para a legislação e administração, para o serviço e para a

obediência. O Cristo não estabelece linhas divisórias entre o templo e a oficina.

Toda a Terra é seu altar de oração e seu campo de trabalho, ao mesmo tempo.

Por louvá-lo nas igrejas e menoscabá-lo nas ruas é que temos naufragado mil

vezes, por nossa própria culpa. Todos os lugares, portanto, podem ser

consagrados ao serviço divino.

(1) Algumas destas páginas, já publicadas na imprensa espiritista cristã, foram

por nós revistas e simplificadas para maior clareza de interpretação. — Nota de

Emmanuel.

Muitos discípulos, nas várias escolas cristãs, entregaram-se a perquirições

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teológicas, transformando os ensinos do Senhor em relíquia morta dos altares

de pedra; no entanto, espera o Cristo venhamos todos a converter-lhe o

evangelho de Amor e Sabedoria em companheiro da prece, em livro escolar no

aprendizado de cada dia, em fonte inspiradora de nossas mais humildes ações

no trabalho comum e em código de boas maneiras no intercâmbio fraternal.

Embora esclareça nossos singelos objetivos, noto, antecipadamente, ampla

perplexidade nesse ou naquele grupo de crentes.

Que fazer? Temos imensas distâncias a vencer no Caminho, para adquirir a

Verdade e a Vida na significação integral.

Compreendemos o respeito devido ao Cristo, mas, pela própria

exemplificação do Mestre, sabemos que o labor do aprendiz fiel constitui-se de

adoração e trabalho, de oração e esforço próprio.

Quanto ao mais, consola-nos reconhecer que os Textos Sagrados são

dádivas do Pai a todos os seus filhos e, por isso mesmo, aqui nos reportamos

às palavras sábias de Simão Pedro: “Sabendo primeiramente isto: que

nenhuma profecia da Escritura é de particular inter pretação.”

EMMANUEL

Pedro Leopoldo, 2 de setembro de 1948.

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