quarta-feira, 2 de junho de 2021

A LUTA TEM QUE CONTINUAR



Por Fábio Talhari -5 de março de 2021

 Todos sabem que há mais de dois anos, desde o momento em que foi empossado, o Governo atual avança aos tropeços, sob fortíssima (e suja) resistência e sabotagens contínuas dos derrotados rancorosos da última eleição para Presidente, Câmara, Senado e Governadores.

Há um ciclo vicioso de “notícias” e “denúncias” que, em sua totalidade, acabaram se revelando calúnias, mentiras, narrativas ocas e/ou sem fundamento ou sentido algum, todas elas sem lógica e que acabam, mais cedo ou mais tarde, sendo desmentidas e deixadas de lado, ou ainda, “recicladas” a todo momento em que faltam “novas” mentiras ou novas narrativas caluniosas.

Por certo que estamos atravessando um momento histórico de revolução, cultural e econômica, principalmente. Estando imersos nesse processo, é muito difícil conseguir distância e isenção de ânimo para analisar de forma precisa o que está acontecendo.

É certo, contudo, quando observamos 20 anos da História do Brasil recente, que o Brasil está caminhando para o sepultamento das ideias, da egrégora (como defini em setembro de 2019 em um artigo) do PT e seus “puxadinhos”. Vale a pena reapresentar as imagens que demonstram isso.

Em 2002, após 3 tentativas frustradas, concorrendo com Collor, na primeira, e com FHC, por duas vezes, Lula finalmente consegue se eleger Presidente do Brasil, ganhando em todos os Estados, exceto Alagoas. Naquele mandato (2003-2006) já houve sérios escândalos, citando o de Waldomiro Diniz (propinas) e o Mensalão – este, todos lembram, até hoje. No Legislativo,  PT contava com 91 deputados e 7 senadores, e eram, indiscutivelmente, a maior bancada da Câmara.

Já nas eleições de 2006, o escândalo do mensalão, principalmente, fez baixas no eleitorado de esquerda, e Lula já não ganhou em 99% dos Estados. No mandato de 2007-2010, o governo passou pelo escândalo dos “Aloprados” (dossiê falso contra tucanos), bem como a Renúncia de Palocci, decorrente do depoimento do caseiro Francenildo (que aliás, foi interrompido no meio, por conta de uma liminar obtida junto ao STF). Tinham no Legislativo 83 deputados e 10 senadores.

Lula consegue eleger seu primeiro “poste”, Dilma. Manteve os mesmos Estados que obtivera na sua segunda eleição. O primeiro mandato de Dilma (2011-2014) foi turbulento, muitos de seus Ministros  caíram por suspeitas de corrupção e outros malfeitos, dentre eles, cite-se Palocci. Em  2012, ocorreu a prisão da cúpula do PT. No ano final do governo (2014), começa a Lava Jato. No Legislativo, tinham 86 deputados e 10 senadores – foi o apogeu de um governo de esquerda.

Na eleição de 2010, a disputa foi bastante acirrada, e Dilma venceu por estreita margem. Os problemas continuaram no segundo mandato de Dilma: em 2015, vieram à tona as “pedaladas fiscais“, as prisões de  Delcídio do Amaral e dos marketeiros João Santana e sua mulher, Mônica Moura. No Legislativo, o PT tinha 78 deputados e 12 senadores. Em agosto de 2016, finalmente, cai o pano, com o impeachment de Dilma, sucedida por Michel Temer.

Na eleição de 2018, o PT reduziu-se praticamente aos Estados do NE. Contudo, Bolsonaro recebeu um país quebrado e dividido. No Legislativo, o PT ficou com 56 deputados e 6 senadores – ainda a maior bancada da Câmara, mas bem reduzido no Senado. Hoje em dia, somando-se aos demais partidos de esquerda, conseguem (com segurança) cerca de 115 votos na Câmara e 20 no Senado. Não tem sido o suficiente para impedir a implementação de pautas do atual Governo, mas conseguiram atrasar muitas delas.

Vejam das imagens acima o que está acontecendo na História do Brasil: o PT e demais partidos de esquerda estão perdendo eleitorado, e isso é ainda confirmado pelas últimas eleições municipais, que nos permitem projetar alguns resultados para 2022.

  1. Em 2000, o PT conseguiu eleger 200 prefeitos.
  2. Em 2004, saltou para 411 prefeituras – aumento de 105,5%.
  3. Em 2008, evoluiu para 557 prefeituras – aumento de 35,5%.
  4. Em 2012, atingiu seu auge, com 632 prefeituras, aumento de 13,46% – mas veja-se que houve uma desaceleração aí, indicando que aquele era o ápice.
  5. Em 2016, o PT caiu para 254 prefeituras – ou seja, da mesma forma que ocorreu nos Estados nas eleições presidenciais, “chegou a conta” de tantos anos de escândalos e de desmandos na Economia: queda de -59,8%.
  6. Em 2020, nova queda de 28%: conseguiram 183 prefeituras.

Nem se diga que os demais partidos de esquerda conseguiram reverter esse quadro. Considerando a somatória desses outros partidos (PDT, PSB, Cidadania, PCdoB, PSOL e Rede), caíram de 1.215 prefeituras em 2016 para 945 em 2020 (-22,2%). Os que mais perderam foram PCdoB (-44%) e PSB (-38,4%).

Aplicando-se, pela mediana dessas tendências, às eleições futuras (apenas uma projeção estatística):

  1. No Senado, o PT deve cair de 6 para 4 senadores;
  2. Na Câmara, deve conseguir eleger cerca de 42 deputados;
  3. Nas próximas eleições municipais, deve obter cerca de 116 prefeituras.

O que se percebe da marcha histórica é que a esquerda está, realmente, em descenso, e eles sabem disso – não por acaso a fala de um condenado do PT, dizendo que iriam “tomar o poder” e não mais “vencer eleições”: sabem que não conseguirão mais obter votação expressiva nem para o Executivo, nem para Governos Estaduais, nem para o Legislativo ou para Municípios.

E também por essa constatação do processo histórico, perceberam que a via auxiliar para tentar “retomar o poder” é a calúnia e as acusações contra o atual Governo, ou contra os familiares e apoiadores do Presidente Bolsonaro, acusando de “genocida” e outras maluquices: a intenção clara, nessa vertente, é criar um “vácuo de poder”, para então tentar ocupá-lo. Segundo a teoria dos jogos na Economia (John Nash, Reinhart Selten, Daniel Ellsberg, dentre outros), a “propaganda negativa” (ataques, ofensas, calúnias), no curto prazo, é 19 vezes mais eficiente que a “propaganda positiva” – mas essa é uma “faca de dois gumes”.

Para alguns autores e estudiosos do tema, nos campos sociológico e político, a propaganda negativa piora a avaliação do ofensor (Garramone, Atkin, Pinkleton e Cole) ou é nociva simultaneamente tanto para o autor dos ataques quanto para o ofendido (Merritt, Roddy e Garramone). Outra parte dos autores concluiu o oposto: os ataques diminuem a avaliação que os eleitores fazem do alvo (e é esta a grande aposta da esquerda, por isso insistem em narrativas caluniosas). Porém, esse relativo “sucesso” dos ataques depende de alguns fatores: são mais eficientes quando dirigidos a questões políticas e não à personalidade ou caráter do alvo (Fridkin e Kenney) – nesse caso, ao atacar a pessoa do Presidente ou de seus apoiadores e depois ver desmentidas as narrativas, essa “propaganda negativa” da esquerda acaba gerando reveses à própria esquerda: isso se constada da marcha histórica que ilustrei anteriormente. Os ataques também são mais eficientes quando o assunto é considerado importante pelo eleitorado (Fidkin e Kenney) ou quando o ataque é precedido de argumentos lógicos ou “científicos” que os sustentem (Budesheim, DePaola e Houston) – e daí vem o “marketing” furioso e amplo que fazem da COVID-19, assunto claramente considerado relevante no mundo todo. Também se verifica isso quando há “argumentos jurídicos”: então podemos apontar a importância do STF respaldar as narrativas ofensivas e/ou caluniosas, mesmo que ao arrepio dos fatos, da Lei e da Constituição.

Por outro lado, também é possível constatar que, até o momento histórico imediatamente anterior à famigerada pandemia, o eleitorado de direita e de centro-direita cresceu bastante. Esse é o “ponto de honra” da esquerda: não o admitem. Além da repetição das narrativas, ofensas e calúnias, dizendo 1.000 vezes a mentira para tentar torná-la “verdade”, também negam, na realidade, os fatos e constatações que lhes são adversos ou que venham a demolir suas frágeis narrativas, ou ainda, tentam encontrar, a todo custo e de forma bastante forçada, uma narrativa forte o suficiente para gerar o anteriormente mencionado “vácuo de poder”.

Por conta desse quadro de quebra-cabeças todo, o que temos visto é um “pêndulo” de ações e discursos: desmentida uma narrativa, ofensa ou calúnia, o autor desses ataques passa a ser atacado – e esse é o caso tanto das bancadas políticas de esquerda (já bastante surradas) e do STF (que tem reagido arbitrária e desproporcionalmente, como vimos com o “inquérito” inconstitucional e ilegal, ou com as prisões de Oswaldo Eustáquio e de Daniel Silveira). Também é reflexo desse “pêndulo” que o Legislativo, com os novos presidentes do Senado e da Câmara, após um início bastante promissor, com a aprovação da autonomia do Banco Central e da nova Legislação Cambial, tenha retornado à discussão de pautas relativas à pandemia (vacinação e auxílio emergencial).

Isso vai continuar, aliás. A cada avanço que o atual Governo fizer no sentido de adotar uma orientação de direita, conservadora, moralizante, capitalista, liberal ou neoliberal na Economia ou na pauta social, haverá “baixas” nos defensores e apoiadores dessas pautas. Mas são uma luta e um processo irreversíveis, mesmo que o Presidente não fosse Bolsonaro, porque é uma reivindicação e uma nova orientação da maioria do eleitorado e da sociedade.

O grande problema é que essa luta, que tem que continuar, não é evidente de forma imediata, no curto prazo, como apontei antes. Mas os resultados, quando avaliados em um período relevante, são consistentes. Uma boa parte dos apoiadores do atual Governo desanima, se irrita, ou até fica em desespero, quando vê esse movimento pendular fazendo estragos nas hostes conservadores, de direita ou de centro-direita. Porém, isso estava no roteiro…

Cabe a nós, então, dentro dos entendimentos, possibilidades e concepções de cada um, manter e, quiçá, até ampliar o apoio a essas questões que, individualmente, consideramos mais importantes: Liberdade, Liberdade de Expressão, Moral e Bons Costumes, Livre Mercado, Autodefesa, Combate à Corrupção, etc. Todas são válidas e deságuam em um objetivo comum, que é a construção de um novo Brasil.

 

 

Fábio Talhari (O Mosquito), para Vida Destra, 05/03/2021.                                                Sigam-me no Twitter! Este artigo é um convite ao debate! @FabioTalhari

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