sexta-feira, 4 de junho de 2021

NUVENS

 


“E saiu da nuvem uma voz que dizia: Este é o meu amado Filho, a ele

ouvi.” — (LUCAS, capítulo 9, versículo 35.)

O homem, quase sempre, tem a mente absorvida na contemplação das

nuvens que lhe surgem no horizonte. São nuvens de contrariedades, de

projetos frustrados, de esperanças desfeitas.

Por vezes, desespera-se envenenando as fontes da própria vida.

Desejaria, invariavelmente, um céu azul a distância, um Sol brilhante no dia e

luminosas estrelas que lhe embelezassem a noite.

No entanto, aparece a nuvem e a perplexidade o toma, de súbito.

Conta-nos o Evangelho a formosa história de uma nuvem.

Encontravam-se os discípulos deslumbrados com a visão de Jesus

transfigurado, tendo junto de si Moisés e Elias, aureolados de intensa luz.

Eis, porém, que uma grande sombra comparece. Não mais distinguem o

maravilhoso quadro.

Todavia, do manto de névoa espessa, clama a voz poderosa da revelação

divina: “Este é o meu amado Filho, a ele ouvi!”

Manifestava-se a palavra do Céu, na sombra temporária.

A existência terrestre, efetivamente, impõe angústias inquietantes e

aflições amargosas. É conveniente, contudo, que as criaturas guardem

serenidade e confiança, nos momentos difíceis.

As penas e os dissabores da luta planetária contêm esclarecimentos

profundos, lições ocultas, apelos grandiosos. A voz sábia e amorosa de Deus

fala sempre através deles.

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