sábado, 19 de junho de 2021

O CEGO DE JERICÓ



“Dizendo: Que queres que te faça? E ele respondeu: — Senhor, que

eu veja.” — (LUCAS, capítulo 18, versículo 41.)

O cego de Jericó é das grandes figuras dos ensinamentos evangélicos.

Informa-nos a narrativa de Lucas que o infeliz andava pelo caminho,

mendigando... Sentindo a aproximação do Mestre, põe-se a gritar, implorando

misericórdia.

Irritam-se os populares, em face de tão insistentes rogativas. Tentam

impedi-lo, recomendando-lhe calar as solicitações. Jesus, contudo, ouve-lhe a

súplica, aproxima-se dele e interroga com amor:

— Que queres que te faça?

Á frente do magnânimo dispensador dos bens divinos, recebendo liberdade

tão ampla, o pedinte sincero responde apenas isto:

— Senhor, que eu veja!

O propósito desse cego honesto e humilde deveria ser o nosso em todas

as circunstâncias da vida.

Mergulhados na carne ou fora dela, somos, às vezes, esse mendigo de

Jericó, esmolando às margens da estrada comum. Chama-nos a vida, o trabalho

apela para nós, abençoa-nos a luz do conhecimento, mas

permanecemos indecisos, sem coragem de marchar para a realização elevada

que nos compete atingir. E, quando surge a oportunidade de nosso encontro

espiritual com o Cristo, além de sentirmos que o mundo se volta contra nós,

induzindo-nos àindiferença, é muito raro sabermos pedir sensatamente.

Por isso mesmo, é muito valiosa a recordação do pobrezinho mencionado

no versículo de Lucas, porqüanto não é preciso compareçamos diante do

Mestre com volumosa bagagem de rogativas. Basta lhe peçamos o dom de ver,

com a exata compreensão das particularidades do caminho evolutivo. Que o

Senhor, portanto, nos faça enxergar todos os fenómenos e situações, pessoas

e coisas, com amor e justiça, e possuiremos o necessário à nossa alegria

imortal.

Nenhum comentário:

Postar um comentário