terça-feira, 8 de junho de 2021

Todo adorador de Fidel odeia a verdade

 

Franklin Martins entra na campanha de Lula sonhando com o ‘controle social da mídia’. Augusto Nunes:

A imagem congelada em agosto de 2010 dispensa legendas: o sorriso abobalhado diz aos berros que Franklin Martins, em êxtase, flutua sobre flocos de nuvens profundamente azuis. Ao lado do ídolo incomparável, a quem fora apresentado pelo então presidente Lula, o ministro da Comunicação Social se imagina mandando bala em Sierra Maestra, cavalgando tanques de guerra no centro de Havana, condenando ao paredón meia dúzia de esbirros do tirano Fulgencio Baptista, insultando o imperialismo ianque no comício imenso — e, claro, decidindo o que os jornais podem ou não publicar. Ninguém ama Fidel sem odiar a liberdade de imprensa. Ninguém venera Fidel sem desprezar a verdade.


O discípulo aprendeu com o mestre que, como os fins justificam os meios, também a mentira é uma arma dos revolucionários. A verdade retarda,às vezes impede a chegada ao paraíso socialista. E um jornalista comunista tem o dever de odiar a liberdade de imprensa. Isso é coisa de burguês, acredita Franklin desde o berçário. Quase 11 anos depois da foto em Havana, ele continua o mesmo. Tanto assim que acaba de assumir a área de comunicação da campanha eleitoral de Lula.


Se o chefe vencer a disputa, Franklin voltará ao ministério — e imediatamente exumará a fantasia que persegue desde o dia do parto: “uma ampla pauta de reforma do setor de comunicação do país”. São 15 propostas sobre temas muito caros aos pastores do autoritarismo. Uma delas ressuscita a versão mais recente do “controle social da mídia”, codinome usado pela censura quando participa de reuniões do PT.


Também em 2010, ao discursar no Congresso Brasileiro de Jornais, o candidato a presidente José Serra constatou que o governo Lula colecionara tentativas de sufocar a liberdade de expressão. “Ao dizer que o governo censura e persegue a imprensa, Serra falta com a verdade”, revidou Franklin, juntando três pecados numa frase só: negou uma obviedade, colocou na boca do adversário palavras que não ditas e fez de conta que é possível alguém que enxerga em Cuba um céu na terra deixar de sonhar com a estatização dos meios de comunicação.


Franklin vive dizendo que, se voltasse no tempo, faria de novo tudo o que fez. Em setembro de 1969, quando militava no Movimento Revolucionário 8 de Outubro, o MR-8, foi ele o encarregado de redigir o manifesto que resumia as ideias e exigências dos sequestradores do embaixador americano Charles Burke Elbrick. O texto tem 859 palavras. Os substantivos “liberdade” e “democracia” não aparecem uma única vez. Passados 52 anos, Franklin Martins só ficou 52 anos mais velho. É um caso perdido.

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