quarta-feira, 18 de agosto de 2021

PODERES OCULTOS



       “E onde quer que ele entrava, fosse nas cidades, nas aldeias ou nos 

campos, depunham os enfermos nas praças e lhe rogavam que os deixas-

se tocar ao menos na orla de seu vestido; e todos os que nele tocavam, 

saravam.” — (MARCOS, capítulo 6, versículo 56.) 

 

Não  raro,  surgem  nas  fileiras  espiritualistas  estudiosos  afoitos  a 

procurarem, de qualquer modo, a aquisição de poderes ocultos que lhes confira 

posição  de  evidência.  Comumente,  em  tais  circunstâncias,  enchem-se  das 

afirmativas de grande alcance. 

O  anseio  de  melhorar-se,  o  desejo  de  equilíbrio,  a  intenção  de  manter  a 

paz, constituem belos propósitos; no entanto, é recomendável que o aprendiz 

não se entregue a preocupações de notoriedade, devendo palmilhar o terreno 

dessas cogitações com a cautela possível. 

Ainda aqui, o Mestre Divino oferece a melhor exemplificação. 

Ninguém  reuniu  sobre  a  Terra  tão  elevadas  expressões  de  recursos 

desconhecidos  quanto  Jesus.  Aos  doentes,  bastava  tocar-lhe  as  vestiduras 

para  que  se  curassem  de  enfermidades  dolorosas;  suas  mãos  devolviam  o 

movimento aos paralíticos, a visão aos cegos. Entretanto, no dia do Calvário, 

vemos  o  Mestre  ferido  e  ultrajado,  sem  recorrer  aos  poderes  que  lhe 

constituíam  apanágio  divino,  em  benefício  da  própria  situação.  Havendo 

cumprido a lei sublime do amor, no serviço do Pai, entregou-se à sua vontade, 

em  se  tratando  dos  interesses  de  si  mesmo.  A  lição  do  Senhor  é  bastante 

significativa. 

É  compreensível  que  o  discípulo  estude  e  se  enriqueça  de  energias 

espirituais, recordando-se, porém, de que, antes do nosso, permanece o bem 

dos outros e que esse bem, distribuído no caminho da vida, é a voz que falará 

por nós a Deus e aos homens, hoje ou amanhã. 

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