quinta-feira, 2 de setembro de 2021

VERDADES E FANTASIAS

 


 

       “Mas, porque vos digo a verdade, não me credes.” — Jesus. (JOÃO, 

capítulo 8, versículo 45.) 

 

O mundo sempre distingue ruidosamente os expositores de fantasias. 

É  comum  observar-se,  quase  em  toda  parte,  a  vitória  dos  homens 

palavrosos,  que  prometem  milagres  e  maravilhas.  Esses  merecem  das 

criaturas  grande  crédito.  Basta  encobrirem  a  enfermidade,  a  fraqueza,  a 

ignorância  ou  o  defeito  dos  homens,  para  receberem  acatamento.  Não 

acontece  o  mesmo  aos  cultivadores  da  verdade,  por  mais  simples  que  esta 

seja. Através de todos os tempos, para esses últimos, a sociedade reservou a 

fogueira, o veneno, a cruz, a punição implacável. 

Tentando fugir à angustiosa situação espiritual que lhe é própria, inventou 

o  homem  a  “buena-dicha”,  impondo,  contudo,  aos  adivinhadores  o  disfarce 

dourado das realidades negras e duras. O charlatão mais hábil na fabricação 

de mentiras brilhantes será o senhor da clientela mais numerosa e luzida. 

No  intercâmbio  com  a  esfera  invisível,  urge  que  os  novos  discípulos  se 

precatem contra os perigos desse jaez. 

A técnica do elogio, a disposição de parecer melhor, o prurido de caminhar 

à  frente  dos  outros,  a  presunção  de  converter  consciências  alheias,  são 

grandes fantasias. É necessário não crer nisso. Mais razoável é compreender 

que o serviço de iluminação é difícil, a principiar do esforço de regeneração de 

nós mesmos. Nem sempre os amigos da verdade são aceitos. Geralmente são 

considerados fanáticos ou mistificadores, mas... apesar de tudo, para a nossa 

felicidade, faz-se preciso atender à verdade enquanto é tempo. 

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